Especializado em
Mangalarga Marchador

Depoimento gravado pelo Dr. Paulo Garcia Palma referente à origem da tropa de cavalos do Coronel Honório Vieira de Andrade Palma e de sua própria tropa.


"(...) A tropa HP veio com meu pai de Santa Rita de Passa Quatro (SP). A tropa era criada pelo pai dele, com origem do avô de sua mulher, isto é, do avô da minha avó, o Capitão – Mór de Franca – Francisco Antonio Diniz Junqueira, filho do casal da Traituba.

Então o meu pai trouxe a tropa lá de Santa Rita em 1890, dos meus bisavós.

Trouxe para a Fazenda da Invernada aqui em Altinópolis. Tinha um pasto, o pasto das éguas, onde essa tropa ficava. O primeiro cavalo..., acho que era o Soberbo. Depois a tropa teve prosseguimento. Eu lembro que meu pai vendia potro a conto de réis, que na época era considerado alto preço.

Essa tropa prosseguiu se aperfeiçoando, eu me lembro dos anos '20', por exemplo. De '21' a '25' tinha o cavalo Mato Grosso, que era um cavalo lerdo, mas era reprodutor. Mas o principal era o Alegre, que veio do Pio Avelino, parente nosso, de Patrocínio Paulista. O Alegre trouxe para a tropa de meu pai uma característica muito marcante: a cabeça. Cabeça bonita. Testa larga e profunda. Eu não me lembro da marca do Alegre. Depois vieram o Faceiro, além do Mato Grosso. E depois, o Tango. O Tango tinha uma cor diferente da tropa e imprimiu aquela cor em vários filhos. E, meu pai chegou a ter cerca de 60 éguas no pasto. Reunia-se essa tropa no curral do meio da Invernada. Então soltava-se os cavalos. Do outro lado, no pasto da caixa d´água tinha jumentas. Meu pai criava jumentos também. Tinha jumentos e jumentas para ele tirar a tropa de burros. O negócio evoluiu. E o fato importante é que meu irmão Tenente tirou o Palhaço. E o Palhaço chegou a ser premiado numa exposição do Rio de Janeiro em 1936.

Mas meu pai continuava como grande criador e vendendo potro a conto de réis. Eu me lembro quando eu estava no colégio e meu pai pagou dois contos, que era a anuidade lá, com dois cavalos. Eu lembro dos 2 cavalos que os padres andavam no Colégio de Batatais. Então era esse capricho, meu pai caprichava muito, mas não havia muita preocupação com o casco. Não havia não, o negócio era assim solto mesmo. Criado em larga escala, com poucos trabalhadores. E, depois veio o Faceiro. Aí apareceu o cavalo de meu outro irmão, o Capitão (Manoel)... o Camões. Eu me lembro que ele andava no Camões. Ele oferecia um cômodo espetacular. Cavalo macio, esperto. A gente olhava no pescoço, era um pescoço grosso. Era uma visão cheia, um cavalo obediente. Extremamente macio e bom. Dizem que foi uma égua do meu pai lá para o tio José Honório em São Sebastião do Paraíso (MG) e lá enxertou e trouxe o Camões. A grande obra do Camões foi de melhorar a tropa do meu pai... ele melhorou, apesar de cego do olho direito, em um acidente, mas era cômodo. Ele deu o Alegre e esse belo cavalo ficou sendo conhecido como Alegre do Major, meu irmão, para diferenciá-lo do primeiro Alegre. O Alegre do Major saía daqui do Amendoim e ia na Fazenda Barrosa numa marcha só, sem parar, perto de 40 kms. E voltava de tarde. Cavalo marchador e meio indócil. Era tordilho – lobuno quando jovem, e no fim da vida, completamente pedrês. Extremamente fogoso, mas uma marcha esplêndida. Uma marcha de Mangalarga mesmo. Aí nós ficamos cada um com 6 éguas. O Luiz, o Capitão, o Major e eu, porque o Tenente havia falecido. Eu não tinha reprodutor, mas a Invernada era encostada no Amendoim; e eu mandava as éguas enxertarem do Alegre...

Comecei, então, a minha criação, que reputo também importante porque resultou no Faceiro V, compreendeu (,)... que teve bons descendentes. Descendentes que foram campeões nacionais... compreende (,)... e então, comecei.

Eu tinha uma égua chamada Mineira[1], tinha também outras muito boas. Então o 1º Faceiro partiu do Alegre do Major com a Mineira, depois... bom... o Alegre continuou enxertando. Saiu o 1o Faceiro. Então houve consangüinidade. Até que surgiu o chamado "Faceiro Capão", que foi o melhor cavalo que eu tive. Era o Faceiro número IV, que é pai deste último Faceiro que morreu. O "Faceiro Capão" produziu estas éguas notáveis que eu tenho das melhores, além de ser pai do Faceiro, esse último. Ele se chamava "Faceiro Capão" porque o Antonio Egídio não montava bem a cavalo. O cavalo dava uns pulinhos. Então ele insistiu... ele insistiu, e como nós tínhamos outro Faceiro resolvemos capá-lo porque o "Faceiro Capão" era um cavalo indócil. Bom... nós continuamos assim... o Luiz continuou com a tropa dele, paralela à minha. O Major teve a tropa... digamos... diluída. O Luiz andou ficando com as éguas do Major; o Capitão parou com o negócio. Ficamos nós dois, o Luiz e eu. Um a ver o progresso do outro.

O Luiz se serviu na tropa do meu pai; ele preferiu a linha do Camões, à linha do Alegre do Major. Andou tirando produção do Faceiro, que é da linha do Alegre do Major, mas só depois que eu tirei o Faceiro da minha fazenda e mandei para ele. O Faceiro ficou lá uma porção de tempo. E o Luiz teve umas cabeceiras com o sangue do Faceiro[2], todavia ele tem a tropa com o sangue original.

Agora nós estamos admitindo cavalos estranhos. O técnico, por exemplo, veio na minha fazenda e disse – "Escuta, Sr. não precisa ir lá... o Sr. tem uma tropa colosso... tal e tal...Está vendo aí que é Mangalarga Marchador da melhor qualidade, e dos antigos, com a anca meio fraca mas de marcha espetacular. O Sr. podia ir lá em Juiz de Fora. Lá tem fulano, beltrano... Eu fui lá e trouxe. Eu trouxe o Herdade Fidalgo[3] e o Herdade Platino[4]. Agora, por exemplo, eu vejo o Platino sendo consagrado com uma filha, uma potrinha, que está no Luiz pois a égua está sendo enxertada e a potrinha está no pé da égua; aquela potrinha é o máximo da minha criação. Uma beleza! Uma coisa! É irmã de uma que foi campeã nacional de marcha, filha de Platino, lá para os lados de Minas Gerais.

Eu sei que temos a tropa nessas condições. Pergunta-se: - qual é o cavalo mais importante? É claro que foi o Alegre, o primeiro; mas depois vieram outros.

Ultimamente, qual é o grande cavalo? O Alegre do Major, esse cavalo foi o grande cavalo.

Agora, o super super, não tem dúvidas, foi o Camões. O Camões era o cavalo ideal. Há pouco tempo eu andei no Faceiro. Há quatro anos atrás. O Faceiro tem a mesma visão... a gente se sente como se estivesse montando o Camões. E, graças a Deus, a nossa tropa está consagrada. Consagrada nas pistas regionais, estaduais e federais. Somos considerados na Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador como um dos melhores criadores de cavalos marchadores. Por isso a contribuição nossa é fundamental. Eu, por exemplo, passei 50 anos escolhendo o reprodutor que marchasse do meu gosto. Uma marcha macia e vistosa. E eu tenho essa marcha até hoje em toda a minha tropa. E, então, nós continuamos e vamos ver se progredimos. Chamo a atenção do José Luiz, que deve estar me ouvindo, para a minha eguinha que está no haras dele. Filha do Platino com a minha égua, essa égua que é filha da Serena, uma das melhores filhas do Faceiro Capão. Filha da Serena com o Expresso de Santa Lúcia. Então o Platino enxertou. Está lá essa eguinha. Ela é o máximo. É o máximo do que pude oferecer até agora em matéria de criação de cavalo.

É isso aí!

Tchau e benção! (...)"

[1] Nota do Autor: esta é a matriz P.G.P. Mineira, registro no. 3923-4 na A.B.C.C.M.M. Outras éguas de Paulo Garcia Palma que foram registradas em Livro Aberto na mesma época: Faceira, Trigueira, Mangueira e Lagoa.
[2] Nota do Autor: as primeiras matrizes registradas em Livro Aberto por Luiz Garcia Palma – 'Esperança' são: Macaca, Cigarra e Fortaleza (mãe de Hippie).
[3] Herdade Fidalgo – Herdade Cobre x Herdade Soberana, nascido em 29 de Outubro de 1979, criação de José de Andrade Reis na Fazenda Herdade (Simão Pereira-MG)
[4] Herdade Platino – Tabatinga Predileto x Herdade Prata, nascido em 20 de Novembro de 1977, criação de José de Andrade Reis na Fazenda Herdade (Simão Pereira-MG)

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